CASPER TENGSTEDT

Casper Tengsted, é uma aposta enigmática. O jovem avançado dinamarquês contratado pelo Benfica teve um crescimento meteórico nos últimos meses e em pouco tempo passou de jogar a segunda divisão dinamarquesa – onde foi fundamental para a promoção do AC Horsens de volta à Superligaen com quinze golos e seis assistências em 27 jogos- para ter um impacto avassalador na Eliteserien ao serviço do Rosenborg. Pelo emblema de Trondheim apontou quinze golos e assistiu outros seis numa brutal influência direta em 21 golos do histórico norueguês em apenas catorze jogos. Em meia época, Tengstedt assumiu-se como o terceiro jogador com mais golos e assistências da competição apenas atrás de Amahl Pellegrino (35 G+A) e Hugo Vetlesen (23). O impacto foi tal que o agora avançado do Benfica nunca ficou mais de um jogo sem marcar ou assistir e só em três jornadas, das dezassete disputadas, não inscreveu o seu nome na ficha dos marcadores/assistentes.

Formado como extremo esquerdo no Midtjylland (tem esse pedigree, tendo-se evidenciado na Youth League, em 2018/19, marcando seis golos em sete jogos), tem-se assumido mais no corredor central ao longo dos últimos meses, como um avançado de grande mobilidade que gosta de fugir da baliza para depois atacar os espaços de finalização, um pouco à imagem de Darwin/Rodrigo, por exemplo. Casper Tengstedt não é um ponta de lança clássico, não é particularmente forte a jogar de costas para a baliza e a oferecer apoios, mas é muito vertical e incisivo, muito forte a atacar o espaço. Forte na reação à perda de bola e na pressão sobre a linha defensiva adversária, trabalha muito na tentativa de recuperação de bola e, por isso, parece encaixar extraordinariamente bem com as ideias de Roger Schmidt para a posição, ainda que a capacidade para jogar dentro do bloco adversário, num modelo mais dominador, seja uma incógnita. Além disso, Tengstedt oferece versatilidade.

O background como extremo e a mobilidade que empresta ao jogo permitem-lhe ser uma opção muito válida para os corredores e para as quatro posições de ataque, mas também para qualquer um dos extremos ou mesmo no centro como segundo avançado. Ainda assim, e tal como mostrou em Trondheim, é no centro que por esta altura parece fazer a diferença. Salta à vista uma facilidade de remate como poucos. É um jogador que não tem medo de rematar e de o fazer de zonas de campo em teoria menos “apelativas”. Tem um remate forte, gatilho fácil, remata bem de fora da área e transforma em golo oportunidades pouco claras. Isso fica evidenciado nos números: marcou 15 golos em cerca de 6 golos esperados. É um excelente finalizador e, isso, mais do que qualquer outra coisa, parece ser sinónimo de sucesso em qualquer contexto que seja. Até aqui, a trajetória foi sempre ascendente. Nada leva a crer que não o continue a ser.

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