OTTO ROSENGREN

Aquele que imaginou ver o Mjällby AIF entrar para a nova temporada como um dos principais responsáveis à despromoção, senão mesmo o principal, bem que se enganou. A história repete-se há pelo menos três temporadas e, mais uma vez, ei-los em plena décima posição ao fim de doze encontros, e já com oito pontos de vantagem sobre os lugares de despromoção automática – diferença que poderá vir a ser decisiva com o avançar da temporada. Mais do que isso, ei-los ainda a ressacar da derrota na final da Taça da Suécia, a primeira presença de sempre do pequeno clube no jogo decisivo. O Mjällby tem escrito uma das histórias de superação, e um dos maiores contos de fadas, recentes no futebol europeu e, mais uma vez, nem a perda do seu treinador para outras paragens significou a queda do clube.

No miolo deste cada vez menos surpreendente início de época do conjunto de Hällevik – pequena vila de pouco mais de um milhar de habitantes, isso mesmo – tem estado o jovem Otto Rosengren, de 20 anos. Um médio centro criativo com qualidade na condução de bola e drible, mas também com uma tenacidade interessante para a idade que se revela num número interessante de recuperações de bola por 90 minutos. É, porém, na progressividade que Rosengren se destaca, seja ela conseguida através do passe ou da condução de bola. É forte no passe longo e eficaz no passe progressivo. Formado no clube e acabado de fazer 20 anos, Rosengren chegou a 2022 com pouco mais de 60 minutos na primeira divisão sueca e assumiu na temporada passada um lugar de destaque na equipa orientada por Andreas Brännström, tendo terminado a época entre as maiores revelações da prova.

Em poucos meses, Otto Rosengren passou de um verdadeiro desconhecido a um dos mais entusiasmantes jovens a jogar, não só no seu país, mas em toda a Escandinávia.

Ao lado de jovens talentos como Noah Eile, Noah Persson ou Silas Nwankwo, Otto Rosengren tem formado uma das espinhas dorsais mais jovens e talentosas da Allsvenskan. Sem medo de apostar na juventude, o Mjällby tem escalado a sua reputação precisamente devido a essa coragem. Com o segundo plantel mais jovem da liga sueca o clube amarelo e preto tem conseguido prestações honradas junto da elite tendo mesmo chegado à sua primeira final de taça em 2023. E se Eile é já propriedade do Malmö e Noah Persson rumou ao Young Boys, nada surpreende que Otto Rosengren seja agora apontado como reforço do Malmö e principal alvo para a substituição de Hugo Larsson.

As comparações com o agora homem do Eintracht Frankfurt são inevitáveis. Apesar de não ser tão completo como Larsson, Rosengren tem do seu lado o facto de ser mais criativo, principalmente, em matéria de condução de bola – é mais forte no drible, mais imprevisível, mais técnico; tem outra classe, outra magia. Afinal, se Larsson tinha de ser visto como um híbrido seis/oito, Rosengren está mais confortável perto da área adversária – porventura será antes o substituto de Anders Christiansen -, mas só quando o jovem médio do Mjällby chegar a uma equipa mais dominadora se perceberá a real dimensão do seu jogo e, em Henrik Rydström, Rosengren parecer ter o homem certo para o fazer chegar a outra dimensão enquanto jogador.

Surgido na equipa principal do Mjällby em 2021 – apenas escassos minutos -, foi em 2022 que se deu a conhecer numa verdadeira temporada de revelação, afirmação e explosão, tudo ao mesmo tempo. Em poucos meses, Otto Rosengren passou de um verdadeiro desconhecido a um dos mais entusiasmantes jovens a jogar, não só no seu país, mas em toda a Escandinávia. Para um jogador tão criativo, porém, os números em matéria de influência no último terço são algo limitados, mas isso é que permite ainda a um clube como o Malmö ter em Rosengren um alvo realista (chegou a falar-se do interesse do Manchester United) já que o contexto, em Hällevik, apesar de tudo, está longe de ser o mais favorável para um jogador tão criativo. Numa equipa dominadora e com a qualidade de jogo do emblema orientado por Henrik Rydström, Rosengren tem tudo para explodir e, daqui a um salto para uma das maiores ligas europeias, é apenas um pequeno passo.

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