ONZE REVELAÇÕES DA ÉPOCA DINAMARQUESA

A temporada dinamarquesa chegou ao fim consagrando o FC København como campeão. A folga não foi a esperada e antecipada (é ler a antevisão feita neste espaço), chegou a ter outros três competidores, mas o gigante da capital lá confirmou o seu bicampeonato, situação pouco habitual no futebol daquele país. Sim, nos últimos 25 anos o FCK venceu catorze títulos, é certo, mas desde 2017 que um clube não conseguia vencer a prova em dois anos consecutivos. Além disso, desde 2012 a Superliga teve cinco vencedores diferentes. Ou seja, a competitividade está sempre presente (impossível dissociar o modelo competitivo disso mesmo) e apesar da hegemonia “merengue”, não é fácil vencer a liga dinamarquesa. Nem mesmo quando o poderio financeiro e individual é claramente superior ao da concorrência.

A dificuldade foi tal que o Copenhaga esteve mesmo muito perto de falhar a presença no play-off de apuramento de campeão e muito provavelmente teria acontecido se o clube não tivesse reagido. Os alarmes soaram tão alto que Jess Thorup acabou despedido dando lugar a Jacob Neestrup e à recuperação dos Leões. Quando o jovem técnico de 35 anos pegou no clube, o FCK era nono classificado e o que se seguiu foi o domínio esperado. Neestrup liderou o emblema da capital a uma recta final da fase regular totalmente invicta nas quais se incluíram oito triunfos consecutivos entre as jornadas 15 e 22 – série durante a qual o FCK sofreu apenas dois golos. Três derrotas na fase de apuramento de campeão devolveram alguma competitividade à Superligaen, mas, no fim, o FCK acabou por confirmar o título com uma jornada de avanço e quatro pontos de vantagem sobre o FC Nordsjælland.

FC Nordsjælland, AGF e Viborg que foram as grandes surpresas da competição. Afinal, se o Viborg cumpria apenas a sua segunda temporada de Superliga desde a promoção, nem FCN, nem AGF, estiveram entre os oito primeiros na temporada passada e ameaçaram mesmo a despromoção a certa altura. A prova de que tudo muda em pouco tempo. Para o bem, e para o mal, o Nordsjælland que o diga. Bastou um mercado de transferências para tudo mudar. Líder da Superligaen no final da fase regular, a perda de Andreas Schjelderup aliada a uma quebra coletiva motivada pela mudança de treinador impossibilitaram o primeiro título do clube desde 2012. Numa altura em que se avizinha um verão agitado em Farum com a perda de vários jogadores chave (Mads Bidstrup e Jacob Steen Christensen já foram e tanto Ernest Nuamah, como Adamo Nagalo e Mohamed Diomandé dificilmente regressam), o falhanço em 2023 parece assumir-se como uma grande oportunidade desperdiçada.

Qualquer rescaldo da temporada fica incompleto sem uma palavra especial para Uwe Rösler. O técnico alemão pegou num AGF em crise, em cacos até, e em poucos meses não lhe devolveu a competitividade, como ameaçou mesmo lutar pelo título. A candidatura foi efémera, mas só a ideia dessa possibilidade é uma grande vitória para o clube da segunda maior cidade da Dinamarca. O modelo de Rösler encaixou como uma luva em Aarhus e o clube terá de ser encarado de forma bem diferente em 2023/24. Extraordinário foi também o trabalho de Jacob Friis em Viborg. Se em temporada de regresso à Superliga o emblema do trevo já tinha surpreendido, os verdes e brancos subiram outro patamar e estiveram mesmo na luta pelo título. Mais uma vez, sustentados por um recrutamento criativo e cirúrgico que permitiu ao clube tornar-se extremamente competitivo.

E quando há surpresas, há naturalmente deceções e nenhuma foi tão grande quanto o AaB. O histórico emblema de Aalborg prometia lutar pelo título no início da temporada depois de um mercado de transferências prometedor (Allan Sousa, Lars Kramer, Younes Bakiz, Nicklas Helenius, Kasper Ludewig ou Andreas Poulsen), mas não só não esteve minimamente perto disso, como acabou mesmo a descer de divisão. O que começou mal com Lars Friis pior ficou com Erik Hamrén (terrível decisão por parte do clube, diga-se) e quando Oscar Hiljemark assumiu o comando técnico do clube, já pouco havia a fazer. O antigo médio sueco até devolveu alguma alma ao AaB, mas a pressão acabou por se fazer sentir nos últimos jogos da temporada. A precisar de vencer no seu último jogo para se salvar, o emblema vermelho e branco deixou-se surpreender em casa pelo Silkeborg e o escândalo consumou-se: várias décadas depois, o AaB regressou à segunda divisão dinamarquesa.

Quem salvou a temporada em cima da linha de meta acabou por ser o Midtjylland. Depois de uma fase regular dececionante (a campanha europeia amenizou um pouco o clima), os Lobos contentaram-se com o play-off de qualificação europeia e acabaram por conseguir garantir um lugar na próxima edição da Conference League com um triunfo em Viborg por 1-0. Mesmo numa temporada em que não foram além da sétima posição, o Midtjylland acabou por assegurar um lugar europeu e dado o nível apresentado desde a chegada de Thomas Thomasberg ao clube, o regresso à luta pelo título deverá demorar pouco tempo até acontecer. Ainda assim, a perda iminente de Gustav Isaksen, melhor marcador da Superligaen, será um rude golpe nas aspirações e competitividade do clube na próxima época.

Quem não se conseguiu salvar acabou por ser o AC Horsens. Em temporada de regresso à competição, o clube não resistiu à perda de Casper Tengstedt e nunca conseguiu verdadeiramente ser competitivo pese embora a presença de alguns jovens de grande valor como James Gomez ou David Kruse. O emblema amarelo e preto até fez uma temporada regular bastante honrada, mas acabou por não conseguir elevar o nível durante a recta final da época. Ao contrário do que conseguiu o Lyngby. Os Vikings entraram para o play-off a sete pontos da sobrevivência, mas uma fase de manutenção absolutamente épica permitiu ao clube azul e branco suplantar Horsens e AaB, estes, em cima da linha de meta.

JOGADOR DO ANO: VIKTOR CLAESSON (FC KØBENHAVN)

Com doze golos e cinco assistências, mas, acima de tudo, tentos em alturas decisivas, Viktor Claesson esteve entre os jogadores com maior impacto direto em golos na competição. O internacional sueco surpreendeu ao rumar a Copenhaga nesta fase da carreira, mas levou para a capital dinamarquesa a eficácia e pragmatismo habituais e com as quais coloriu uma carreira de culto entre Värnamo, Borås, Krasnodar e, agora, Copenhaga. Sem surpresa, Claesson tem mostrado estar num patamar acima da competição e não surpreendeu que tivesse acabado a época sendo eleito o melhor jogador da mesma.

JOVEM DO ANO: GUSTAV ISAKSEN (FC MIDTJYLLAND)

Gustav Isaksen pode muito bem ter terminado a temporada como um dos jogadores mais injustiçados da competição. Apesar de ter sido o melhor marcador da Superligaen aos 22 anos (com 18 golos, ele que não é um ponta de lança) e ter sido, de longe, o jogador com maior participação direta em golos, bem como o mais decisivo da competição, acabou por ser Ernest Nuamah o jogador eleito como jovem do ano. A surpresa da temporada do Nordsjælland, a menor idade e a maior novidade poderão ter pesado, mas não só Isaksen devia ter vencido o prémio como seria sempre um sério candidato a jogador do ano, no global. De forma simples e prática: não fosse Gustav Isaksen e o Midtjylland não tinha terminado a temporada com uma qualificação europeia. O jovem internacional dinamarquês fez uma super época e deixará a Superligaen como um dos seus melhores jogadores prometendo agora agitar o mercado e, muito provavelmente, bater o recorde de transferências da competição estabelecido por Sulemana Kamaldeen (17M€) em 2021.

ONZE REVELAÇÕES DA TEMPORADA DINAMARQUESA

ERNEST NUAMAH (2003, FC NORDSJÆLLAND)

Com apenas algumas aparições na equipa de Herning durante a fase final da temporada passada, 2022/23 assumiu-se como a época de revelação, afirmação e explosão para Ernest Nuamah. Tudo ao mesmo tempo. Vários anos depois do título alcançado em 2012, os Tigres voltaram a lutar pelo campeonato e, isso, muito se deveu ao jovem extremo ganês de 19 anos. Entre liga e taça, Nuamah participou em 34 encontros da equipa do Nordsjælland tendo apontado uns impressionantes quinze golos. Os registos conseguidos por Nuamah fizeram o irreverente extremo ser eleito o jovem jogador do ano na Superligaen e, mais do que isso, assumir-se como uma das grandes figuras da competição e um dos seus jovens mais cobiçados.

Depois de Sulemana Kamaldeen e Simon Adingra, Ernest Nuamah promete fazer agitar o mercado e muito dificilmente começará a próxima temporada de vermelho e amarelo. O jovem de 19 anos é sério candidato a bater o recorde de transferências do futebol dinamarquês, registo estabelecido por Sulemana quando em 2021 rumou ao Stade Rennes por cerca de dezassete milhões de euros. Afinal, comparando as temporadas de ambos, e sabendo que o golo se faz pagar bem, foram mais cinco os tentos apontados por Nuamah. O seu potencial é quase infinito e tem tudo para ser figura numa das grandes ligas do futebol mundial.

YANKUBA MINTEH (2004, OB)

Completo desconhecido à entrada para a temporada que agora acabou, a ascensão de Minteh tem sido impressionante. Na equipa principal do clube de Odense apenas desde outubro (tinha chegado em agosto, da Gâmbia, para jogar nos Sub-19 do clube dinamarquês), o impacto do jovem extremo de 18 anos foi tal que o Newcastle não perdeu tempo nem se coibiu de pagar sete milhões de euros por um jogador com apenas dezassete jogos como profissional. Quando chegou à equipa principal do OB, Minteh não tinha sequer nome na camisola e, hoje, não só protagonizou uma transferência milionária como irá jogar num histórico do futebol europeu na próxima temporada prometendo incendiar os relvados neerlandeses, ao serviço do Feyenoord, tal qual aconteceu em terras dinamarquesas.

Nem tudo é positivo na temporada de Yankuba Minteh, porém. Os quatro golos e seis assistências rubricadas na Superligaen impressionam, mas o jovem gambiano de 18 anos acumulou problemas disciplinares graves que terá de corrigir se quiser chegar ao mais alto nível no futuro. A juventude pode ser desculpa para o facto de ter sido apanhado na noite antes de um jogo do OB, mas não para cenas de pancadaria com colegas de equipa. O talento, porém, é claro. Canhoto e mais confortável a jogar sobre a direita é o clássico extremo moderno que gosta de explorar o corredor central em diagonais venenosas. E quão venenoso é o seu jogo! Máquina de criação de oportunidades de golo, Minteh, nos seus dias, é um jogador praticamente indefensável e o nível apresentado com apenas 18 anos impressiona. Para manter debaixo de olho!

DAVID KRUSE (2002, AC HORSENS)

A temporada de regresso à Superligaen não foi de grande recordação para o Horsens. A perda de Casper Tengstedt, figura principal da promoção do clube à primeira divisão, revelou-se insubstituível e a competitividade do mesmo foi seriamente comprometida. Fatalmente comprometida, como mais tarde se veio a comprovar. David Kruse, ainda assim, foi um dos poucos pontos positivos do emblema amarelo e preto – não esquecendo, claro, James Gomez. O jovem médio dinamarquês de 20 anos, formado no clube e internacional Sub-20 e Sub-21 pelo seu país, já tinha sido presença central durante a campanha de promoção do Horsens e voltou a ser instrumental no jogo da equipa de Jens Berthel Askou naquela que foi também a sua temporada de estreia no primeiro escalão dinamarquês.

Médio de ligação, num híbrido entre seis e oito, num contexto que não o ajudou, Kruse mostrou alguma da sua visão de jogo e criatividade espelhadas nas três assistências rubricadas. Forte tecnicamente, robusto a resistir à pressão e com uma grande qualidade na distribuição, Kruse foi encostado quase sempre às cordas devido à fragilidade do Horsens, mas tem tudo para se afirmar como um dos jovens dinamarqueses de maior futuro a jogar numa equipa com outro domínio no jogo. Dificilmente regressa à segunda divisão e muito inteligente será o clube que se antecipe à concorrência.

ANTON GAAEI (2002, VIBORG FF)

Nenhuma lista de revelações da temporada dinamarquesa pode ser escrita sem que Anton Gaaei a incorpore. Porventura a grande revelação da época (assumindo que Nuamah já era conhecido e era esperada a sua explosão), Gaaei entrou em 2022/23 praticamente sem qualquer minuto na Superligaen e terminou a temporada entre os jovens mais cobiçados da competição, bem como uma das maiores promessas do país na posição de lateral/ala direito. Antigo extremo e agora adaptado a posições mais recuadas, é do ponto de vista ofensivo que Gaaei mais se evidencia tendo terminado a época entre os jogadores com mais passes para a área adversária na competição.

Lateral de grande propensão ofensiva, o jovem de 20 anos é um super desequilibrador e a capacidade de cruzamento; o seu último passe, é devastador. Cada bola que sai do pé de Anton Gaaei é meio golo e entre os laterais da competição poucos terminaram a época com maior índice de assistências esperadas – apenas Oliver Villadsen e Christian Sørensen. Além disso, as cinco assistências rubricadas são um dos maiores registos da competição entre os laterais da Superligaen impressionando ainda a eficácia de todas as ações ofensivas protagonizadas por Gaaei. É fácil apreciar a capacidade ofensiva do jovem do Viborg, mas Gaaei está longe de ser um lateral puramente ofensivo. O seu perfil maciço, o seu poderio físico (seja stamina ou pura força corporal) e a sua velocidade tornam-no num defensor eficaz mesmo quando o posicionamento não é perfeito. Por tudo isto, Gaaei promete poder fazer mexer o mercado e o seu perfil encaixa na perfeição nas chamadas “equipas grandes”. Anton Gaaei tem Bundesliga escrita em todo o lado.

WILLIAM CLEM (2004, FC KØBENHAVN)

Apesar da quantidade de jovens supertalentosos que povoam o plantel do gigante da capital dinamarquesa, nem todos têm sido particularmente bem-sucedidos em elevar o seu nível. William Clem, porém, não é um desses casos. Sem qualquer presença na equipa dinamarquesa até outubro, o jovem médio de 18 anos não demorou a pegar de estaca no onze titular da equipa de Jacob Neestrup e, na verdade, foi chegar, ver e vencer para William Clem que assim que entrou no onze dos homens de Copenhaga não mais saiu. Hoje comparado a Sergio Busquets, é justo dizer que William Clem era a peça que faltava à equipa do FCK que muito sofreu durante a primeira metade da temporada.

A temporada consagrou o FCK como campeão dinamarquês e apesar da folga não ter sido a prevista, o domínio fez-se notar à medida que a época avançou e, tal, talvez não tivesse acontecido se Clem não tivesse entrado no onze de Neestrup. A verdade, é que o melhor período do FCK coincidiu com a entrada do jovem médio dinamarquês na equipa e de um conjunto à beira de falhar o play-off de apuramento de campeão a vencedor do título passaram apenas algumas semanas. Alto, elegante, dotado de uma grande capacidade técnica e capacidade para organizar e distribuir jogo numa primeira fase de construção, Clem espalha classe e não surpreendem as comparações com o icónico #6 catalão. Talvez o seu futuro por ali passe. É esse o nível do seu futebol.

LUCAS HEY (2003, LYNGBY BK)

Lançado às feras numa equipa a correr sérios riscos de despromoção, foi também por Lucas Hey que o Lyngby protagonizou uma das grandes histórias de sucesso no futebol dinamarquês em 2022/23. Se até certa altura os Vikings pareciam mais do que condenados a descer de divisão, a segunda metade da época, bem como um play-off épico, acabaram por permitir à equipa azul e branca alcançar a “great escape” e estar entre a elite do futebol dinamarquês no próximo ano. Em temporada de estreia na competição, a ascensão de Lucas Hey tem sido meteórica e não surpreende que clubes como o Bolonha, o Friburgo, o Gladbach, o Génova ou o Augsburgo já tenham sido apontados como possíveis destinos do jovem central de 20 anos.

Formado no clube e já com participações nas equipas Sub-17, Sub-19, Sub-20 e Sub-21 da Dinamarca, Lucas Hey impressiona pela maturidade e a sua capacidade para sair a jogar, conduzindo e progredindo com a bola nos pés, a partir da sua linha defensiva, é de assinalar. Sólido e eficaz nas suas ações defensivas, o potencial de Lucas Hey é imenso mesmo que o contexto atual não permita tirar conclusões definitivas acerca do seu perfil como jogador. Felizmente, não deverá demorar muito tempo até vermos Hey jogar numa equipa com outro domínio no jogo.

ASKE ADELGAARD (2003, OB)

Há muito que o conjunto de Odense aguardava por um substituto para Jörgen Skjelvik e em boa hora surgiu Aske Adelgaard. No clube desde 2021 e com formação passada entre Randers e Odense, Adelgaard teve uma ascensão impressionante nos últimos meses e aos 19 anos é já internacional Sub-21 pela Dinamarca. Não surpreende. Em temporada de estreia na Superliga, Adelgaard não acusou a pressão e assumiu-se como um dos melhores laterais esquerdos da competição. Se até aqui parecia haver um grande desequilíbrio entre o potencial das laterais dinamarquesas, com a direita a apresentar uma saúde invejável, o surgimento de nomes como Aske Adelgaard ou Oliver Bundgaard, aliados a Victor Kristiansen, permitem ao país nórdico encarar o futuro com grande otimismo.

Extremamente completo, sólido defensivamente, inteligente posicionalmente e desequilibrador ofensivamente, Aske Adelgaard foi uma das maiores revelações da temporada dinamarquesa acabando-a como dono da posição no histórico clube de Odense, impressionando a variabilidade do seu jogo. Adelgaard está longe de ser um lateral unidimensional mostrando uma capacidade muito agradável para ligar o jogo e associar quando o habitual seria conduzir e esticar o campo. Taticamente astuto tem tudo para lutar com Kristiansen pelo futuro da ala esquerda da seleção dinamarquesa.

OSCAR SCHWARTAU (2006, BRØNDBY IF)

A saída de Jesper Lindstrøm há quase dois anos deixou um vazio por preencher na equipa do Brøndby que ainda hoje se sente e, só agora, parece estar finalmente a ser colmatado – e logo em dose dupla. E, tal como sucedera com o agora atacante do Eintracht, era na formação que estava a solução. Qual meteoro vindo dos confins do cosmos, Schwartau surgiu com estrondo na equipa principal do emblema de Copenhaga e, aos 16 anos, já levava mais de 500 minutos na Superligaen tendo festejado três golos ainda antes de fazer os 17 – tendo-se tornado no mais jovem jogador de sempre a chegar a essa marca. Com a chegada de Jesper Sörensen ao comando técnico do antigo campeão dinamarquês a esperança é que Schwartau possa ganhar ainda mais preponderância na equipa dado o seu histórico como treinador de camadas jovens, mas, por enquanto, Oscar Schwartau vai entrando a espaços numa equipa onde não falta talento ofensivo.

Alto e de processos simples e eficazes, Schwartau foi já comparado a Kai Havertz e é fácil perceber o porquê. Uma coisa já ninguém lhe tira: com 16 anos e dois meses certos, Schwartau foi de longe o jogador mais jovem a atuar na Superligaen em 2022/23 e um dos mais jovens a estrear-se na competição nos últimos anos, apenas atrás de Kenneth Zohore, Jeppe Kjaer e Roony Bardghji. Internacional Sub-16, Sub-17 e Sub-19 pela Dinamarca, Oscar Schwartau leva já três golos e praticamente duas dezenas de jogos ao mais alto nível pelo histórico emblema dinamarquês. O céu é o limite.

KOLBEINN FINNSSON (1999, LYNGBY BK)

Demorou, mas foi. Quase uma década depois de se ter dado a conhecer na equipa principal do Fylkir (incrível como foi já em 2015) e ter deixado meia Europa atrás de si, finalmente, Kolbeinn Finnsson está pronto a mostrar toda a sua qualidade. Há muito que se esperava pela temporada de afirmação do jovem islandês, hoje, já com 23 anos, e se o Lyngby conseguiu alcançar a manutenção na Superligaen de forma heroica durante a recta final da temporada em muito isso se deveu à chegada de Finnsson que por fim se soltou das amarras do Borussia Dortmund, mas de onde nunca passou da equipa B. Pelo meio, Finnsson ainda passou pelo Brentford e pelo Groningen, mas é em Lyngby que terá agora espaço para se afirmar definitivamente.

A Kolbeinn Finnsson não falta escola e todos esses anos de “aprendizagem” fizeram-se sentir nos relvados dinamarqueses desde janeiro. Se em Dortmund vinha sendo utilizado maioritariamente como defensor numa linha de três centrais, o seu poderio ofensivo foi soltado em Lyngby e em apenas quinze encontros de Superligaen registou três assistências e um golo – foi mesmo eleito para a equipa da semana na ronda 28 e já antes disso havia marcado um golaço de fora da área ao OB. Hoje, Finnsson é um ala esquerdo com capacidade de desequilíbrio, posição na qual claramente se sente mais à vontade e mais útil se mostra em campo. Afinal, quando saiu da Islândia, falávamos de um médio de características ofensivas que se fazia notar pela versatilidade e dinâmica que oferecia ao jogo. Como quase sempre acontece, o contexto é tudo. Finnsson encontrou o seu.

ELIAS ACHOURI (1999, VIBORG FF)

A impressionante ascensão do Viborg FF, de clube de segunda divisão a “candidato” ao título em poucos meses, tem sido uma das histórias mais espetaculares do futebol dinamarquês nos últimos anos. Grande razão para o feito é o scouting do clube do trevo, comprovando-se mais uma vez que o dinheiro não é tudo no futebol e que um recrutamento criativo e acertado é meio caminho andado para o sucesso desportivo e para o elevar do estatuto de um clube. Não há melhor exemplo da qualidade do recrutamento do Viborg do que Elias Achouri, talvez nem mesmo Justin Lonwijk, hoje, ao serviço do Dínamo Kiev. Sem espaço em Guimarães ou no Estoril, mesmo depois de uma grande temporada ao serviço do Trofense, Achouri rumou à Dinamarca e imediatamente se assumiu como uma das figuras da competição. Mais uma vez: o contexto é tudo. A qualidade já lá estava.

Extremamente atento a tudo o que se passa na segunda liga portuguesa, o Viborg vai aproveitando os talentos que os clubes nacionais vão deixando passar. Rodrigo Martins chegou a estar perto do clube, mas além de Achouri, também Paulinho (ex-Estrela) e Renato Júnior (ex-Portimonense) rumaram ao clube dinamarquês depois de deixar a sua marca nos relvados portugueses. Nenhum, por enquanto, com o impacto do tunisino. Em época de estreia no clube, Achouri apontou seis golos e esteve ligado diretamente a outros seis (ou nove, dependendo do fornecer estatístico). Um impacto devastador no último terço, aliado a uma capacidade de drible desconcertante que fez de Achouri um dos melhores jogadores da competição, um dos seus jogadores mais desequilibradores e, acima de tudo, um dos mais difíceis de defender.

ARAL SIMSIR (2002, FC MIDJTYLLAND)

Para um clube tão bem organizado, tão cirúrgico na identificação de talento e que tem marcado tantas tendências na gestão desportiva ao longo dos últimos anos, a dificuldade sentida na renovação da equipa perante as naturais e constantes saídas do clube, tem sido difícil de entender. Mais ainda, um clube que tanto depende da sua formação e que nela tem um orgulho muito especial, a falta de espaço dada aos seus maiores talentos é difícil de entender. Da “superequipa” que encantou a Youth League restam poucos. Oscar Fraulo rumou ao Gladbach, Mads Hansen foi aproveitado com sucesso pelo Nordsjælland, Danijel Djuric foi surpreendentemente enviado para Reykjavik e só com a chegada de Thomas Thomaberg nomes como Valdemar Byskov, Oliver Sörensen e Aral Simsir começam a ganhar o seu lugar.

Nenhum brilhou mais do que Aral Simsir, porém, e isso também não é necessariamente uma surpresa. Há muito que o talento do jovem dinamarquês com raízes turcas era conhecido e, estranho, só mesmo o tempo que demorou a ter uma oportunidade em Herning. Assim que ela chegou, agarrou-a pelo pescoço. Em dezassete encontros nesta temporada, Simsir registou três golos e cinco assistências e durante a fase final da temporada poucos jogaram a um nível superior em toda a Superliga. Habitualmente comparado a Lionel Messi, Simsir é um criativo, um médio ofensivo com uma qualidade na condução e uma capacidade para tirar um golo da cartola como poucos a este nível, tendo demorado pouco a demonstrá-lo. O tempo para o agarrar é agora. 2023/24 promete ser a temporada de explosão e, aí, já será demasiado tarde.